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Voltando no tempo e a última edição impressa do site Estrela da Mogiana

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Imagem de divulgação
Imagem de divulgação
Em setembro de 2020, o site Estrela da Mogiana, publicava uma revista em comemoração ao aniversário de 66 anos de emancipação político-administrativa de Jaguariúna, que com o passar do tempo se tornaria uma edição histórica.
 
Chegando em 2026 e analisando a fase atual do jornalismo impresso, o site chegou à conclusão de que essa revista acabou se tornando histórica por vários motivos.
 
Um deles é ter sido preparada e publicada durante a pandemia da Covid-19, reunindo matérias sobre a história da cidade e depoimentos de várias pessoas sobre aquele momento. Outro motivo para ser considerada histórica, é que mesmo sem saber na época, o site estava publicando a última edição impressa preparada pelo Estrela da Mogiana, que desde então, deixou de fazer esse tipo de publicação.
 
Com a internet e o aumento nos custos para uma publicação impressa está cada vez mais difícil apostar nesse tipo de projeto, então, a ideia vem sendo utilizar o site para resgatar a história de Jaguariúna, não só em setembro, mas durante todo o ano.
 
No ano em que Jaguariúna comemora 72 anos, o site resolveu resgatar esse momento da imprensa e conversar com os profissionais que estiveram à frente do projeto.
 
Na época, Sérgio Marini foi responsável pela diagramação e o projeto do especial. Passados seis anos, esse momento, representou para ele uma experiência diferente apesar de sempre trabalhar nesse segmento.
 
“Como foi um período difícil e de incertezas, serviu como uma terapia, mantendo a cabeça ocupada, diagramando a revista e fazendo uma coisa que eu gosto, além de participar da história da cidade e ter um registro do meu trabalho naquela época”, analisa.
 
Quando a equipe pensou em fazer o especial impresso, não imaginava que seria o último e hoje percebemos que deixou saudades essa fase do jornalismo.
 
“Sem saber eu diagramei a minha última revista impressa na pandemia. Era diferente porque a gente diagramava, via no computador, mas tinha a expectativa de enviar para a gráfica, esperar chegar para verificar se as fotos ficaram boas. É diferente da internet que a gente coloca e já sabe como vai ficar, mas no impresso não tem como corrigir se tivesse alguma coisa errada. Sem saber foi a última revista impressa que diagramei. E mesmo depois de mais de 10 anos diagramando jornais, listas telefônicas e revistas, mesmo assim, a gente ficava na expectativa de chegar o material da gráfica”, analisa.
 
Já a publicitária Rosana Gonçalves disse que participar do especial de aniversário de Jaguariúna durante a pandemia foi desafiador, uma vez que estávamos em isolamento. “Conversar com as pessoas pessoalmente sempre foi um diferencial para mim, mas naquele momento dei o meu melhor. Por outro lado, foi um trabalho que me motivou muito e o fato de entrar em contato com as pessoas mesmo por chamada de vídeo me trazia um certo alento”, completou.
 
Rosana recordou que a sua trajetória no jornal impresso começou nos anos de 1990 no JJ - Jornal de Jaguariúna. “Depois recebi o convite do Ricardo Azevedo para assumir a direção da Gazeta, que também foi um grande desafio. Vale lembrar que o jornal era impresso, era câmera com filme de rolo. Tinha que levar o arquivo para Americana onde era impresso.
A equipe era toda envolvida, jornalistas, diagramadores, vendedores, recepcionistas, todos, para entregarmos o que havia de melhor em termos de jornalismo e qualidade de impressão. A conferência era feita incansavelmente. O prazer de receber o jornal em mãos no sábado de manhã valia a pena todo o esforço.  Foi um momento profissional memorável”, salientou.
 
Ela ainda frisou que sente saudade do jornalismo real, onde a reunião de pauta era o início de tudo que seria publicado e lido no sábado de manhã.
 
Eu, Gislaine Mathias como proprietária do site e jornalista, foi mais uma experiência para o meu currículo, pois colocar em prática o projeto de uma edição impressa sempre foi desafiador por envolver várias etapas, e ainda mais num momento em que o Brasil vivia uma pandemia. Um dos maiores desafios foi o isolamento, então, a proposta foi utilizar material antigo e aproveitar a internet para entrevistar as pessoas.
 
Diante das dificuldades da época, o projeto ainda conseguiu alguns anunciantes, mas, mesmo assim, não cobriram todos os gastos de uma edição impressa.
 
“Apesar disso, o saldo foi altamente positivo, pois conseguimos comemorar o aniversário da cidade mesmo diante do cenário de uma pandemia e fizemos uma edição histórica, com resgate da memória jaguariunense e depoimentos de algumas pessoas sobre como estavam atravessando esse momento crítico da doença”.
 
O jornal impresso é uma realidade cada vez mais distante, tanto pelo alto custo da gráfica quanto para manter uma equipe de profissionais, além disso, houve uma mudança radical na questão da venda de espaços publicitários. Com a vinda da internet, ficou mais prático disponibilizar as informações nos portais de notícias.
 
“Fico feliz pelo privilégio de sempre estar vivenciando experiências novas no jornalismo, desde o tempo da máquina de escrever até as fotos tiradas com filmes e reveladas no próprio jornal ou em alguma loja. O tempo foi passando e as mudanças vieram, e desde então, venho buscando sempre acompanhar a modernidade”.