Memórias de Jaguariúna

Santa Cruz, Onça Preta e Estrela do Morro desfilaram na avenida do samba de Jaguariúna

por Gislaine Mathias em 23/02/2021 Carros alegóricos costumavam ser bem altos e exigiam muito trabalho na preparação (Foto Casa da Memória Padre Gomes)Um tempo de folia, determinação e muito trabalho. Por volta de 1974 nascia a Escola de Samba Santa Cruz.
 
O ex-prefeito Laércio Gothardo lembra que a ideia de formar a escola foi do Pedro Abrucês durante conversa e ao comentarem com os moradores do bairro, a iniciativa foi aceita de imediato.
 
“Era um divertimento. Teve um ano que nós saímos com 600 integrantes, e acabou se tornando um desfile grandioso”, comenta Laércio completando que envolvia muitas famílias.  
 
Os ensaios aconteciam no Jaguar. Ele recorda que a Lúcia Chiurato era responsável pelo tema e pelos desenhos das fantasias.
 
“O carnaval mais marcante foi quando a escola saiu com navios na avenida. Eram dois navios enormes, montamos no fundo de casa. Depois eles não passavam e precisamos derrubar o muro”, relata.
 
Laércio ainda recorda que para passar nas ruas, os carros eram tão altos, em torno de cinco metros, que acabavam levando até os fios do telefone. “Nós movimentamos a cidade, houve uma união no bairro e todos ajudavam na escola”, enaltece.
 
Os primeiros desfiles ocorriam na rua Cândido Bueno e anos mais tarde passou para a avenida do Centro Cultural. Foram surgindo outras escolas e blocos, como, Unidos da Serra.
 

Escola de Samba Onça Preta
Carro alegórico preparado por Lígia, tendo como destaques, Silvia e Ronaldo (Acervo Casa da Memória)Uma escola de samba marcada pela juventude. A Onça Preta, que prestava homenagem à cidade de Jaguariúna, desfilava com cerca de 400 pessoas, sendo que a maioria era formada por crianças, adolescentes e jovens. 
 
“Eu cuidava dos carros alegóricos por ser formada em Artes e sempre gostei de trabalhar com material reciclado. Quem emprestava o jipe era o Moacir Ramos e a pessoa que guiava um dos carros era o Eduardinho Tozzi”, relata uma das fundadoras, Ligia Beatriz Franco.
 
A escola tinha a ala de compositores, mas todos ajudavam no momento da composição do samba-enredo. “Nós tivemos um enredo que destacava os personagens da Disney. Minha mãe sempre ajudava fazer as roupas dos destaques e eu colaborava bordando as peças”, enfatiza.
 
A escola desfilava com três a quatro carros. “O tema mais marcante foi quando o meu irmão Ronaldo foi o pierrô e a Silvia Tonini, a colombina”, recorda Ligia completando que o público acompanhava os desfiles.
 

Escola de Samba Estrela do Morro
Foliões mostravam bastante animação na avenida do samba Nos anos 70, a Estrela do Morro agitava os foliões e a concentração acontecia no Bar do Tonhão, próximo ao Centro de Lazer do Trabalhador Lebrão.
 
A ex-presidente da escola, Maria Faride Chaib de Moraes, Fafa recorda que a bateria reunia em torno de 40 batuqueiros. “A escola saia com cerca de 200 pessoas e com o tempo foi crescendo a participação. Havia muita união e era uma diversão”, enaltece.
 
Os desfiles eram acompanhados por moradores de Jaguariúna, mas também por turistas da região. 
 
Ela relata que a ideia de fundação da escola nasceu num encontro na chácara de Aristides Panegassi, que ainda reuniu Valdemar Mantovani, José Orlando Dutra Santos, Roberto Malachias e José Maria Toledo de Moraes, que era responsável pelos carros alegóricos e alas.
 
“Tinha a ala das baianinhas e eu fazia parte da ala das baianas e ganhei troféu como destaque. Todo mundo ajudava na preparação. As crianças não pagavam a fantasia e o comércio ajudava com doações”.
 
Ela comenta que a escola foi duas vezes campeã e os instrutores da bateria eram Carlinhos Olegário, Luizão e Kalu, que ajudavam nos ensaios da escola.
 
“O que mais me marcou foi quando colocamos o tema Roque Santeiro na rua, era época em que estava passando a novela e colocamos os personagens, foi bonito e emocionante”, conta Fafa recordando que outro tema de destaque foi Ali Babá e os 40 Ladrões.
 
 
 
 
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