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Festival de Inverno: Orquestra Lyra Mojimiriana é modelo de ensino musical no Brasil

por Gislaine Mathias/Estrela da Mogiana em 03/07/2016 arquivo sem legenda ou nomeA Orquestra Sinfônica Lyra Mojimiriana atua no cenário musical desde o ano de 1985 e neste domingo, 3, integra a programação do Festival de Inverno de Jaguariúna. A apresentação começa às 19h, com entrada franca, no Teatro Municipal Dona Zenaide.

A Lyra Mojimiriana é reconhecida pelo Ministério da Cultura como modelo em ensino musical no Brasil e ainda foi premiada pela Funarte (Fundação Nacional das Artes) por dar continuidade à cultura de bandas musicais.

O maestro, diretor artístico e fundador da Lyra Mojimiriana, Carlos Lima destaca detalhes da apresentação, da história da banda e da importância da música na vida das pessoas em entrevista exclusiva ao site Estrela da Mogiana. 
 
Estrela da Mogiana – Conte detalhes da história de fundação da Lyra Mojimiriana.

Carlos Lima - A Lyra é uma associação sem finais lucrativos e tenho orgulho de ser o seu fundador. Ela nasceu com o DNA de contribuir na transformação de pessoas através da música, cultura e arte. Ao longo desses anos vem cumprindo com essa proposta e muitos jovens já passaram por aqui e alguns já estão tocando profissionalmente e cursando faculdade, mas aqueles que não seguiram a música, tenho certeza que o ensino da música promoveu alguma transformação em suas vidas.  
Nos últimos dez anos a gente vem focando num trabalho em alta performance dos músicos e crianças buscando resultado musical. A partir de 2012 iniciamos um intercâmbio cultural com a Alemanha onde nossas crianças conversam via Skype com crianças de Berlim sobre assuntos pertinentes a faixa etária de 6 a 9 anos. E em 2013 duas crianças tocaram na Alemanha e participaram de programas de televisão e rádio naquele País.
 
Estrela da Mogiana – Qual a principal proposta da Lyra?

Carlos Lima - A principal proposta da Lyra é transformar pessoas através da arte, e com isso a gente tem a pretensão de contribuir na construção de uma sociedade mais ética, comprometida e disciplinada. A música exige muita disciplina, muito talento e inspiração, e também muita transpiração. Também colaboramos na construção de valores, como a cooperação e o espírito de grupo.  
 
Estrela da Mogiana – Na sua opinião atualmente existe uma maior valorização da música de orquestra?  
 
Carlos Lima - Existem projetos na formação de orquestras, mas existem poucos projetos focados na formação de jovens no Brasil, então, precisamos investir nisso. Em 2013, tive a oportunidade de participar da construção de um modelo de inclusão social através da música baseado na orquestra. Foi feito um trabalho e estudo com nove maestros do Brasil e entregamos um relatório e uma proposta para o Ministério da Cultura, mas infelizmente não saiu do papel. Acredito que existe um campo grande para a construção de inclusão social através da orquestra, então, é nossa obrigação tentarmos implantar essa ideia.
 
Estrela da Mogiana – Qual a importância da música na vida das pessoas?

Carlos Lima - Eu não conheço ninguém que não ouça música todos os dias e não tenho nenhum preconceito com outras culturas e estéticas mais populares, como o Funk, que é extremamente autêntico e uma forma de manifestação que tem a cara do Brasil. O Funk não tem harmonia e quase não tem melodia e isso reflete a falta de oportunidades das pessoas no cenário musical, pois elas tem necessidades de contar um pouco da sua vida e do seu dia-a-dia.
Muitas pessoas não tem acesso ao estudo de música e de instrumentos musicais, então, isso é uma negligência do estado brasileiro nas três esferas. A gente deixa de investir nisso porque infelizmente a Cultura está na linha de despesa, pois não enxergam a Cultura como investimento. As pessoas precisam fazer música e como não tem oportunidade de tocar violino, faz funk por isso tem que ser entendido e respeitado, sendo um prova que ninguém vive sem música.
 
Estrela da Mogiana – Qual a expectativa de se apresentar no Festival de Inverno de Jaguariúna?

Carlos Lima - A gente sabe que Jaguariúna hoje é a porta de entrada para um importante circuito turístico da nossa região, então, é uma cidade que tem tudo para ter um desenvolvimento cultural através de festivais, concertos e programação variada. E o festival faz parte desse contexto sendo importante para a cidade, região e turistas. Ele traz riqueza cultural e por este motivo a nossa expectativa é poder estar participando desse processo, contribuindo para o seu desenvolvimento e mostrando o nosso trabalho.
 
Estrela da Mogiana – Conte detalhes de como será a apresentação.

Carlos Lima – A programação do nosso concerto vai misturar um pouco de música popular e clássica. A orquestra essencialmente faz um trabalho de música clássica durante o ano, pois trabalha na formação de jovens, mas teremos também os convidados da música pop alemã Felice e Cortes Young.
 
 
 
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