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Festival de Inverno de Jaguariúna começa neste sábado com Titus Fúria no Teatro Dona Zenaide
por Gislaine Mathias/Estrela da Mogiana em 02/07/2016
O espetáculo Titus Fúria, da Companhia Trezencena abrirá o Festival de Inverno de Jaguariúna, neste sábado, 2 de julho, a partir das 20h30, com entrada franca, no Teatro Municipal Dona Zenaide. O elenco é formado por dez atores e um músico em cena. De acordo com a atriz Julia Prudencio a proposta do espetáculo é levantar a discussão sobre a intolerância abordando relações de poder, assassinatos, violência contra a mulher e abuso sexual. “Ao final pretende-se clamar pelo fim dos ciclos de vingança”, frisou a atriz completando que essa montagem surgiu como resultado do segundo projeto integrado de criação cênica da Unicamp (ao todo são quatro ao longo da graduação e cada um dura um semestre), que tem como foco de estudo a narratividade.“O projeto foi desenvolvido no segundo semestre de 2015, mas antes mesmo de iniciar o semestre, no momento em que deveríamos escolher o material a ser trabalhado, a diretora do espetáculo e professora Verônica Fabrini, nos indagou sobre quais eram os fantasmas do mundo que precisavam ganhar voz naquele momento, e então decidimos que seria necessário falar sobre intolerância”, relatou Julia Prudencio completando que a professora sugeriu o texto ‘Títus Andronicus’ de William Shakespeare e mais tarde veio como complemento a releitura da obra feita pelo alemão Heinner Muller ‘Anatomia Titus: fall Of Rome’.
Titus Fúria
O nome do espetáculo foi sugerido pela diretora, pois ao mesmo tempo em que mantém vínculo com os dois textos de origem ao manter o nome do personagem protagonista dentro do título, a palavra fúria funciona como síntese do tom que rege o espetáculo, dando a dimensão do sentimento que leva o protagonista a executar seu plano de vingança para com aqueles que contribuíram para a sua desgraça.
O processo de pesquisa contou com uma equipe formada por 17 pessoas entre atores, músico, diretora, assistentes de direção, preparadores corporal e vocal. “O espetáculo foi criado a partir de exercícios de improviso, como campo de visão, que leva os atores a criarem imagens corporais e sonoras a partir de estímulos imaginativos e exercícios que misturavam elementos do Butô (dança oriental surgida no pós-guerra) e do Kung Fu. A diretora julgava necessário a busca por um corpo marcial, e para tanto os atores passaram por um intenso processo físico que envolvia treino de lutas e condicionamento físico”, salientou a atriz.
Grupo A Trezencena é formada pelos alunos ingressantes no ano de 2013 no curso de graduação em Artes Cênicas da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).
“Como dois integrantes do elenco são naturais da cidade (eu e Marcelo Masselani), para nós é uma alegria apresentar para um público composto por familiares e amigos, e é também uma forma de retorno àqueles que nos dão suporte e apoio nessa jornada que é a graduação. Para além das questões pessoais, é também valioso para nós levar uma ação cultural à cidade num momento em que vemos a cultura ser preterida pelo poder público até mesmo em âmbito nacional. Especialmente uma ação cultural que fomenta discussões tão necessárias nos dias de hoje”, frisou Julia. A censura é de 16 anos.
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