
Leontina começou escrever com mais frequência quando cuidava da neta, que exigia de atenção redobrada. “Por consequência disso não pude mais me dedicar a pintura, então, extravasei meus sentimentos através da escrita”, relata.
Para escrever o livro, ela se inspirou no esforço de outras pessoas que lutam para preservar a história do município.
“Vejo nessa pandemia uma oportunidade para que cada pessoa escreva o que vai no coração. O isolamento é bom para o resgate das memórias. Nós estamos acostumamos a contar sobre o passado e hoje estamos privados da convivência social, então, é uma chance de escrever a história da humanidade para deixar às gerações futuras”, enaltece.
Leontina gosta de estimular as pessoas na escrita e destaca que o papel é importante para manter essa história.
“Assim como ocorreram com os antigo e novo testamentos, que no silêncio dos monastérios escreveram sobre a história da igreja e da civilização ocidental”, ressalta Leontina, que já tinha lançado uma publicação referente a árvore genealógica da família Baldassin, com vinte exemplares, voltada para os parentes.
Na fase atual, vem eternizando nos desenhos e pinturas os vários momentos vividos nos sítios Colomba, Florianópolis e Santa Cruz, e as histórias contadas pelos seus antepassados, com o objetivo de preparar um livro.
Rio Jaguari
Rio Jaguari em suas margens
pisou o índio belo e moreno
patas de onça tão negra
o sol, a lua, o sereno
chuva, vento e tempestade
riachos que desaguaram
Pés de branco com malícia
a procura de cobiça
ouro, pedras, lucro fácil
pés negros de corpos altos
que o oceano atravessaram
para construir suas pontes
suados eles sangraram
Para plantar o café
quem nem sequer tomaram
As cortes com carruagens
suas pontes atravessaram
A sua margem se ouviu
que escravos libertaram
Europeus italianos
e outros aqui chegaram
As margens de terra fértil
cantando eles plantaram
Alguns do Oriente Médio
da Espanha e Portugal
conhecer o mundo novo
À beira do Jaguari
é que formou o seu povo.
Rio Jaguari de Leontina Baldassin de Godoy e que está na página 11 do seu livro