Notícias > Cultura

Casarão se transforma em espaço de cultura, leitura e resgate da história

·
Prédio mostra detalhes da antiga Jaguariúna, no centro da cidade
Prédio mostra detalhes da antiga Jaguariúna, no centro da cidade
Um prédio histórico, que surgiu numa época em que Jaguariúna ainda era Distrito de Paz de Jaguary e pertencia a cidade de Mogi Mirim. Este é o casarão construído pelo imigrante italiano, Lucilo Poltronieri, um patrimônio histórico que chama a atenção até os dias de hoje, pela sua preservação e pelos detalhes de sua arquitetura, na rua Alfredo Engler, esquina com Amâncio Bueno, e que abrigará em breve a Biblioteca Municipal Adone Bonetti e outras atividades culturais.
 
A informação foi divulgada em entrevista pela secretária de Turismo e Cultura, Maria das Graças Hansen Albaran dos Santos, que há algum tempo já desejava que esse espaço fosse público em virtude da sua história. Após o período de negociação, documentação e locação, o prédio passou por uma adaptação para abrigar a biblioteca e também uma unidade da Escola das Artes. Ainda não tem uma data oficial para a inauguração, mas deve ocorrer ainda neste ano.
 
“Temos muitas novidades para esse espaço e já estamos pensando em decorar o prédio e realizar uma Cantata de Natal na parte de cima. Vamos abrir as portas brevemente com a Biblioteca Municipal e a Escola das Artes”, relata a secretária que recordou do seu tempo de infância e adolescência quando acompanhava as tradicionais cantatas do Banco Bamerindus. 
 
Na opinião de Maria das Graças é muito coerente trazer uma biblioteca e uma escola de artes para dentro de um patrimônio histórico. “Tudo isso é valorização da cultura da nossa cidade, pois um povo com cultura, sabe os caminhos que devem trilhar, tem lucidez e senso crítico”, frisa.  
 
Relato
 
O Casarão Poltronieri, datado de 1896, é um patrimônio histórico que ainda resiste ao tempo. No passado, o local abrigou diferentes serviços e marcou a vida de muitos jaguariunenses. Antigamente, no prédio funcionava o Bar do Ponto, famoso na época e na esquina ainda tinha um bazar com produtos para costura e um espaço de secos e molhados, onde se vendia arroz, feijão e outros produtos. 
 
“O que me marcou bem no bazar era a tripa do estilingue, feito com a borracha de câmera de ar, e que todo mundo comprava. Era cortado bem retinho. Atrás do prédio tinha um salão grande, que foi cinema mudo, e funcionava com músicos tocando ao vivo embaixo da tela. Tinha sessão só no final de semana. A família Poltronieri tinha muita habilidade musical. Nos demais dias da semana, era usado para engarrafar vinho e fazer cerveja, e também era alugado para casamentos. Depois, o prédio teve funerária e o caixão era feito em um dia. Era um caixão simples. Me contaram que eles compravam vinho italiano, de atacadistas em São Paulo e quando retiravam da cartola para engarrafar, separavam o azeite de oliva que vinha por cima da bebida para não deixar azedar o vinho”, relata Hermelindo Poltronieri Junior, conhecido por Bilu.
 
Na fase mais atual, o prédio abrigou por muito tempo, o Banco Banespa, que pertencia ao Governo do Estado de São Paulo.

Prédio foi sede do Banco Banespa por muitos anos, e agora abrigará a Biblioteca Municipal
Prédio foi sede do Banco Banespa por muitos anos, e agora abrigará a Biblioteca Municipal