Memórias de Jaguariúna: A arte da transformação do ferro na rotina do distrito de Jaguary
por Gislaine Mathias/Estrela da Mogiana em 12/06/2019
“Que emoção relembrar da minha família e recordar do meu tempo de criança”, relatou Moacir Mantovani ao olhar a foto do avó Humberto, na ferraria. Ele relata que o avó trabalhava na Fazenda Bom Retiro na lavoura de café, e aos sábados e domingos, ia a pé até Pedreira para trabalhar numa ferraria, com o intuito de conhecer o ofício. Depois que aprendeu a profissão de ferreiro montou uma ferraria no distrito de Jaguary. “Meu avó sempre foi um homem firme e de postura, e lutou com dificuldades, mas não poupou nem esforços e sacrifícios. Na ferraria era um trabalho de arte, pois de um pedaço de ferro fazia coisas que a gente nem imaginava e ainda precisava de prática para bater o cravo no casco do animal para não pegar na parte viva”, destaca Moacir completando que o pai Odoni seguiu na profissão de ferreiro.
Eles faziam desde roda de carroça, chapeamento até cruzes de cemitério com todos os enfeites. “Era sacrificado, mas ao mesmo tempo, era um serviço de arte’, frisou Moacir.
Apesar de ter ajudado muito na ferraria, segurando pé de cavalo e batendo marreta, Moacir desde criança mostrava talento para a mecânica. “Por isso, já nasci engraxado, pois nasci para ser mecânico”, enfatizou.
Atualmente, além de seguir na profissão de mecânico e ter o dom do canto, relata uma outra paixão, o de cuidar do relógio da Matriz Centenária de Santa Maria.
Ele costuma dar corda uma vez por semana no relógio e fazer lubrificação, e isso vem ocorrendo há pelo menos 60 anos. Inclusive, recentemente, realizou a restauração e manutenção, por desgaste natural do tempo. “É uma tradição da cidade, e é um patrimônio histórico”, concluiu.
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